As doenças crónicas da saúde portuguesa
Em Portugal é sempre fácil dizer mal de tudo. Ora do governo que nas palavras do povo “nunca faz nada”, ora do país em geral que segundo muitos “está na mesma”. Dizer mal e criticar o estacionário estado das coisas, quando não regressivo, é uma prática comum entre nós. Mas atenção, porque não há fumo sem fogo e se por vezes se exagera, por outras tem-se toda a razão. E o caso da saúde é uma dentre inúmeras situações onde a abespinhada e efervescente crítica revoltada põe a nu a causa da sua erupção.
Uma doença bastante grave da Saúde nacional (isto já para não falar nos díspares casos de negligência médica) é o tempo. O tempo que se espera para uma consulta, ou operação, por exemplo. As listas de espera fazem exasperar durante meses e anos, um número de pessoas quase ilimitado. Assim, tudo se torna irrisório quando se solicita a presença do utente, após a sua passagem para o outro mundo e que devido aos infortúnios da vida não poderá jamais usufruir do serviço de saúde estatal....
Mas não sejamos assim tão pessimistas! Neste olhar crítico lançado à saúde, analisemos agora a pormenor o processo de uma consulta num banal Centro de Saúde público. Quem não necessitou já de esperar horas a fio para ser dono de uma marcação ou vaga para uma consultazinha no médico de família? Quer fosse para mostrar análises ao Senhor Doutor, quer fosse para outra coisa qualquer? Bem, “coisa qualquer” não é decerto, pois uma coisita simples não justifica as eternidades passadas à porta dos centros de saúde, faça chuva, faça sol, e já agora, faça neve! Mas enfim, lá terá de se justificar, ou se espera, ou não. A decisão é toda nossa. A saúde e a paciência, também.
Chega-se à conclusão que não existe relógio que resista à contagem do tempo decorrido em vão, nas salas de espera de Portugal! No que a elas diz respeito, há até quem diga que para a próxima, já ninguém os apanha. Leva-se o almoço (e já agora o jantar) num termo, cobertores, almofada e pijama para lá passar a noite enquanto se aguarda o desejado chamamento pelo intercomunicador. Até lá, suspira-se, lê-se uma desbotada revista cor-de-rosa de 1990, olha-se para o relógio lento, suspira-se e espera-se...espera-se...espera-se...
Se, por fim ainda for necessário carimbar ou fazer qualquer outra coisa de índole burocrática nas ditas “credenciais”, após a consulta, então somemos mais uns minutos à espera que convém ser silenciosa, tal como as placas afixadas nos indicam. Sim, porque o telefone do guichet foi atendido mil vezes, o computador bloqueou outras tantas e o empregado cavaqueia animadamente com o colega ou com o senhor doutor que acabou de chegar. E nós? Esperemos, pois então! E já que tanto se discute no que diz respeito ao plano tecnológico (as duas palavras seguramente mais utilizadas nos últimos tempos) não seria talvez melhor planear um conhecimento tecnológico a adquirir por parte dos funcionários de balcão (e outros)? Que perdem preciosos e longos minutos do seu tempo e do nosso ao tentar a custo pesaroso preencher um formulário a computador? Que tal cursos, acções de formação? Sócrates, o filósofo, diz-nos na obra “Fédon” de Platão, que o conhecimento verdadeiro é algo que nasce connosco mas teremos de fazer um esforço para recordar o que conhecemos em tempos idos. Será? Talvez seja melhor dar o benefício da dúvida às teorias deste filósofo mas o esforço é, de facto, imprescindível. E já que se quer modernizar o país, comecemos pelos homens (relembrados ou não), que são no fundo aqueles que lidam com as máquinas. Pois de que valerão elas se não se souber como funcionam?
Enfim, a burocracia impera! É sempre preciso preencher papelinhos, constituir filas onde se espera que o tempo passe veloz, e tudo isto nos faz perder a paciência! Em que estado se encontra a Saúde em Portugal, quando estas situações vividas nas salas de espera passam do ridículo ao anedótico...perdão, salas de desespero!
Uma doença bastante grave da Saúde nacional (isto já para não falar nos díspares casos de negligência médica) é o tempo. O tempo que se espera para uma consulta, ou operação, por exemplo. As listas de espera fazem exasperar durante meses e anos, um número de pessoas quase ilimitado. Assim, tudo se torna irrisório quando se solicita a presença do utente, após a sua passagem para o outro mundo e que devido aos infortúnios da vida não poderá jamais usufruir do serviço de saúde estatal....
Mas não sejamos assim tão pessimistas! Neste olhar crítico lançado à saúde, analisemos agora a pormenor o processo de uma consulta num banal Centro de Saúde público. Quem não necessitou já de esperar horas a fio para ser dono de uma marcação ou vaga para uma consultazinha no médico de família? Quer fosse para mostrar análises ao Senhor Doutor, quer fosse para outra coisa qualquer? Bem, “coisa qualquer” não é decerto, pois uma coisita simples não justifica as eternidades passadas à porta dos centros de saúde, faça chuva, faça sol, e já agora, faça neve! Mas enfim, lá terá de se justificar, ou se espera, ou não. A decisão é toda nossa. A saúde e a paciência, também.
Chega-se à conclusão que não existe relógio que resista à contagem do tempo decorrido em vão, nas salas de espera de Portugal! No que a elas diz respeito, há até quem diga que para a próxima, já ninguém os apanha. Leva-se o almoço (e já agora o jantar) num termo, cobertores, almofada e pijama para lá passar a noite enquanto se aguarda o desejado chamamento pelo intercomunicador. Até lá, suspira-se, lê-se uma desbotada revista cor-de-rosa de 1990, olha-se para o relógio lento, suspira-se e espera-se...espera-se...espera-se...
Se, por fim ainda for necessário carimbar ou fazer qualquer outra coisa de índole burocrática nas ditas “credenciais”, após a consulta, então somemos mais uns minutos à espera que convém ser silenciosa, tal como as placas afixadas nos indicam. Sim, porque o telefone do guichet foi atendido mil vezes, o computador bloqueou outras tantas e o empregado cavaqueia animadamente com o colega ou com o senhor doutor que acabou de chegar. E nós? Esperemos, pois então! E já que tanto se discute no que diz respeito ao plano tecnológico (as duas palavras seguramente mais utilizadas nos últimos tempos) não seria talvez melhor planear um conhecimento tecnológico a adquirir por parte dos funcionários de balcão (e outros)? Que perdem preciosos e longos minutos do seu tempo e do nosso ao tentar a custo pesaroso preencher um formulário a computador? Que tal cursos, acções de formação? Sócrates, o filósofo, diz-nos na obra “Fédon” de Platão, que o conhecimento verdadeiro é algo que nasce connosco mas teremos de fazer um esforço para recordar o que conhecemos em tempos idos. Será? Talvez seja melhor dar o benefício da dúvida às teorias deste filósofo mas o esforço é, de facto, imprescindível. E já que se quer modernizar o país, comecemos pelos homens (relembrados ou não), que são no fundo aqueles que lidam com as máquinas. Pois de que valerão elas se não se souber como funcionam?
Enfim, a burocracia impera! É sempre preciso preencher papelinhos, constituir filas onde se espera que o tempo passe veloz, e tudo isto nos faz perder a paciência! Em que estado se encontra a Saúde em Portugal, quando estas situações vividas nas salas de espera passam do ridículo ao anedótico...perdão, salas de desespero!
Não há nada pior do que uma Sáude doente.
* Texto já publicado (21/04/2006)
* Texto já publicado (21/04/2006)

1 Comments:
Que atire um calhau ao pé quem não tem pesadelos naquelas cadeiras de plásticu onde o odor a alcóll e nafatlina se confundem com o azedo das recepcionistas e enfermeiras a quem aptece chegar pé ante pé juntu ao ouvido onde crescem estalagmites de cera e gritar:
mAS Quando é k lhe dão ALTA!!??
Ponham mas é o sistema de saúde a soro...(=
Wednesday, April 26, 2006
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